Synopsis
“A coleção Literatura para Todosinscreve-se como uma ação inovadora/fundadora que procura avançar no enfrentamento dessas questões, inaugurando uma produção de textos específicos de literatura para neoleitores jovens e adultos. Sua gênese está no Projeto de Leituração, criado pelo Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) e a promoção do Concurso Literatura para Todos , que premiou, em 2006, dez obras inéditas para neoleitores jovens e adultos procedentes do Programa Brasil Alfabetizado. Abraão e as frutas , de Luciana V. P. de Mendonça, apresenta com simplicidade e profundidade os diversos tipos de poemas e os infinitos sabores que as frutas e a poesia podem oferecer. Nas entrelinhas aparecem referências a obras de Manuel Bandeira, Ferreira Gullar ou João Cabral de Melo Neto, homenageando os poetas brasileiros. Batata cozida, mingau de cará , de Eloí Elisabete Bocheco, toma como ponto de partida uma antiga canção folclórica, uma quadrinha ou cantiga infantil ou ainda um velho ditado. A autora constrói seus poemas com imagens, rimas e palavras e faz um convite para visitar o Brasil do interior, fortemente marcado pela cultura popular. Os contos Cabelos molhados , de Luís Pimentel, no dizer de Cristiane Costa, são contos enxutos, certeiros como uma flecha apontada para o coração. Os personagens das pequenas histórias, algumas de desfecho surpreendente, procuram revelar situações que mostram o que pode existir de dramático no dia-a-dia do brasileiro. Caravela (Redescobrimentos) , de Gabriel Bicalho, mergulha em imagens marinhas, para fazer da palavra mar o principal tema dos poemas. O autor convida o neoleitor, de maneira bem-humorada, a enfrentar as inúmeras possibilidades de montar e desmontar sílabas e sentidos. O leitor é convidado a participar de um jogo que leva ao "redescobrimento" da própria linguagem. Cobras em compota , deÍndigo, com sutileza e extrema leveza, recorda memórias da infância, convidando cada um ao encontro com a fantasia, a imaginação e as divagações. A graça e a ironia presentes nos textos têm a intenção de divertir o leitor e aguçar o seu olhar para os acontecimentos do cotidiano. Entre as junturas dos ossos , de Vera Lúcia de Oliveira, aborda com sensibilidade todos os sentidos e até busca um novo sentido para dar conta de outras sutilezas. "Dei para pisar no rangido dos ventos", um dos versos do livro, mostra a leveza de sua escrita. Os poemas oscilam entre a simplicidade e a apresentação de breves enigmas. O leitor precisa aproximar-se com atenção para descortinar outras faces da poesia, mas em compensação ele entra em contato com a intensidade lírica. A biografia Léo, o pardo , de Rinaldo Santos Teixeira, apresenta ao neoleitor uma comovente experiência de vida. Com graça e objetividade o autor apresenta os preconceitos vivenciados pelos que possuem a cor parda, sem ficar emaranhado na mágoa e na dor. O autor prefere deixar que fatos falem e revelem o mundo de dificuldades, com raízes fundas no Brasil. Além de possuir coerência temática e originalidade, a obra estimula a imaginação e a reflexão. Cristiane Dantas,com uma narrativa ágil e profunda,convida o leitor a acompanhar a história de Madalena ,uma mulher que teve coragem de enfrentar a vida e ser senhora de si. Convida-o a olhar com firmeza e compaixão as fraquezas e forças humanas, as agruras das mulheres submetidas, as mazelas do interior e da capital, os jogos do poder, o pulsar das relações familiares e toda a beleza e complexidade da vida. A divertida peça de teatro Família composta , de Domingos Pellegrini, retrata um pai que, entre queixas e resmungos, ajuda à filha solteira a criar o bebê. O leitor é convidado a analisar uma história cotidiana e familiar e perceber como velhas convicções podem balançar com a chegada do futuro genro, um poeta. Todas as questões são enfrentadas com sensibilidade, crítica e humor. Cezar Dias, em Tubarão com a faca nas costas , apresenta crônicas que trazem um retrato sensível do cotidiano. O leitor é convidado a olhar com empatia a rotina diária de desconhecidos afetados pela dureza da sobrevivência. Cenas aparentemente insignificantes são retratadas com imaginação e delicadeza, amenizando em parte a aspereza diária.”