Jó 15:4

1Então Elifaz, o temanita, respondeu:

2“Deve um homem sábio responder com conhecimento vão, e encher-se com o vento oriental?

3Deve ele argumentar com palavras inúteis, ou com discursos que não trazem proveito algum?

4Sim, você anula o temor, e impede a devoção diante de Deus.

5Pois a sua iniquidade ensina a sua boca, e você escolhe a linguagem dos astutos.

6A sua própria boca o condena, e não eu. Sim, os seus próprios lábios testemunham contra você.

7“Você foi o primeiro homem a nascer? Ou você foi gerado antes das colinas?

8Você ouviu o conselho secreto de Deus? Você limita a sabedoria a si mesmo?

9O que você sabe que nós não sabemos? O que você entende que não esteja em nós?

10Entre nós estão os de cabelos brancos e os muito idosos, homens muito mais velhos que o seu pai.

11As consolações de Deus são pequenas demais para você, e a palavra que lhe é dita com suavidade?

12Por que o seu coração o arrebata? Por que os seus olhos faíscam,

13para que você volte o seu espírito contra Deus, e deixe tais palavras saírem da sua boca?

14O que é o homem, para que seja puro? O que é aquele que nasce de mulher, para que seja justo?

15Eis que ele não confia em seus santos. Sim, os céus não são puros aos seus olhos;

16quanto menos aquele que é abominável e corrupto, o homem que bebe a iniquidade como água!

17“Eu lhe mostrarei, escute-me; aquilo que vi eu declararei

18(o que os sábios anunciaram, recebido de seus pais, e não o esconderam;

19aos quais somente a terra foi dada, e nenhum estrangeiro passou entre eles):

20o ímpio se contorce de dor todos os seus dias, durante todos os anos reservados para o opressor.

21Um som de terrores está em seus ouvidos. Na prosperidade, o destruidor virá sobre ele.

22Ele não crê que retornará das trevas. Ele é aguardado pela espada.

23Ele vagueia em busca de pão, dizendo: ‘Onde está?’ Ele sabe que o dia das trevas está pronto, à sua mão.

24A aflição e a angústia o amedrontam. Elas prevalecem contra ele, como um rei pronto para a batalha.

25Porque ele estendeu a sua mão contra Deus, e se porta com arrogância contra o Todo-Poderoso,

26ele corre contra ele com dura cerviz, com os grossos escudos de suas armaduras,

27porque ele cobriu o seu rosto com a sua gordura, e acumulou gordura em suas coxas.

28Ele habitou em cidades desoladas, em casas que ninguém habitava, que estavam prestes a se tornar montões de ruínas.

29Ele não será rico, nem os seus bens continuarão, nem as suas posses se estenderão pela terra.

30Ele não sairá das trevas. A chama secará os seus ramos. Ele irá embora pelo sopro da boca de Deus.

31Que ele não confie no vazio, enganando a si mesmo, pois o vazio será a sua recompensa.

32Isso se cumprirá antes do seu tempo. O seu ramo não ficará verde.

33Ele sacudirá as suas uvas verdes como a videira, e deixará cair a sua flor como a oliveira.

34Pois a companhia dos ímpios será estéril, e o fogo consumirá as tendas do suborno.

35Eles concebem a maldade e produzem a iniquidade. O coração deles prepara o engano.”