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O que são apócrifos bíblicos?

Entenda os sentidos da palavra apócrifo e a diferença entre apócrifos do Antigo Testamento, deuterocanônicos, pseudepígrafos e apócrifos do Novo Testamento.

Nota editorial: este texto é informativo e histórico. Ele não pretende substituir a orientação de uma tradição religiosa específica, nem resolver debates confessionais. Quando houver divergência entre tradições, o artigo procura descrevê-las de forma neutra.

Em resumo

Apócrifo” é uma palavra usada para textos religiosos antigos que ficam fora do cânon de determinada tradição. Mas o termo não tem sempre o mesmo sentido. Em uma conversa protestante, “Apócrifos” pode se referir aos livros deuterocanônicos. Em uma conversa católica, esses mesmos livros não são apócrifos, mas Escritura. Em estudos acadêmicos, “apócrifos” pode se referir a textos judaicos ou cristãos antigos não incluídos no cânon.

Por isso, a pergunta certa é: apócrifo para quem, em qual contexto e em qual sentido?

O que a palavra significa?

A palavra vem do grego e está ligada à ideia de algo “oculto” ou “escondido”. Com o tempo, passou a ser usada para obras de autoridade duvidosa, obras fora da lista canônica ou textos atribuídos a personagens antigos sem reconhecimento oficial.

Mas “apócrifo” não significa automaticamente “falso”, “inútil” ou “mentiroso”. Alguns textos apócrifos preservam tradições antigas importantes. Outros são tardios, lendários ou claramente dependentes de imaginação religiosa posterior. É preciso avaliar caso a caso.

Tipos diferentes de apócrifos

A confusão nasce porque a mesma palavra é usada para grupos diferentes de textos.

1. Apócrifos do Antigo Testamento

Em muitas Bíblias protestantes antigas, “Apócrifos” é a seção com livros como Tobias, Judite, Sabedoria, Sirácida, Baruque e Macabeus. Católicos chamam esses livros de deuterocanônicos e os recebem como canônicos. Ortodoxos também recebem muitos deles, às vezes com uma lista mais ampla.

2. Pseudepígrafos

“Pseudepígrafo” é um texto atribuído a uma figura antiga, muitas vezes patriarca, profeta ou personagem bíblico, mas escrito em outro período. Exemplos discutidos em estudos judaicos e cristãos incluem 1 Enoque, Jubileus, Testamentos dos Doze Patriarcas e outros. Alguns são muito importantes para entender o judaísmo do Segundo Templo.

3. Apócrifos do Novo Testamento

São textos cristãos antigos fora do Novo Testamento, como evangelhos, atos, cartas e apocalipses atribuídos a apóstolos ou personagens do cristianismo primitivo. Exemplos conhecidos incluem Evangelho de Tomé, Evangelho de Pedro, Protoevangelho de Tiago, Atos de Paulo e Tecla e Apocalipse de Pedro.

Alguns são úteis para estudar crenças e imaginação religiosa de grupos cristãos antigos. Outros são tardios e não dizem muito sobre o Jesus histórico, mas dizem bastante sobre comunidades posteriores.

Por que esses textos não entraram na Bíblia?

As razões variam. Alguns textos eram pouco conhecidos. Outros eram tardios demais. Outros tinham atribuição considerada incerta. Outros não eram usados amplamente nas igrejas. Outros apresentavam teologia conflitante com o que comunidades majoritárias recebiam como fé apostólica.

No caso dos deuterocanônicos, a questão é diferente: eles entraram no cânon de algumas tradições cristãs e não em outras. Portanto, não devem ser tratados do mesmo modo que evangelhos apócrifos tardios.

Apócrifo é perigoso?

Não necessariamente. A leitura de textos apócrifos pode ser muito útil para história, literatura, estudo religioso e compreensão do período entre o Antigo e o Novo Testamento. O problema aparece quando um texto é apresentado de modo sensacionalista, como se “revelasse a verdade escondida” ou “provasse que tudo foi manipulado”.

O leitor precisa perguntar:

  • Quando o texto foi escrito?
  • Em que idioma ou tradição textual chegou até nós?
  • Quem provavelmente o escreveu?
  • Qual comunidade o preservou?
  • Ele depende de textos bíblicos anteriores?
  • Como foi recebido por judeus ou cristãos antigos?
  • Ele é canônico em alguma tradição atual?

Por que eles são importantes para o estudo?

Textos apócrifos ajudam a entender ideias, símbolos e debates que circulavam no mundo antigo. Eles mostram como comunidades interpretavam figuras bíblicas, imaginavam o mundo espiritual, explicavam sofrimento, morte, juízo, ressurreição e esperança messiânica.

Por exemplo, textos como 1 Enoque são importantes para entender certas ideias apocalípticas judaicas. Evangelhos apócrifos ajudam a perceber como diferentes grupos cristãos elaboraram memórias e discursos sobre Jesus, Maria, os apóstolos e a infância de Cristo.

Como o Thoth pode tratar esses textos?

Em uma biblioteca editorial neutra, o ideal é separar:

  • Canônicos: textos reconhecidos como Escritura por uma tradição.
  • Deuterocanônicos: textos canônicos para católicos e/ou ortodoxos, mas não para protestantes.
  • Apócrifos do Antigo Testamento: textos judaicos antigos fora do cânon de algumas tradições.
  • Apócrifos do Novo Testamento: textos cristãos antigos fora do Novo Testamento.
  • Pais Apostólicos: textos cristãos primitivos não canônicos, mas importantes para história da igreja antiga.
Essa separação ajuda o leitor a não misturar tudo.

Fontes e leituras recomendadas

  • Encyclopaedia Britannica, “Apocrypha”.
  • Early Christian Writings, catálogo de textos cristãos antigos.
  • New Advent / Catholic Encyclopedia, “Apocrypha”.
  • David A. deSilva, Introducing the Apocrypha.
  • James H. Charlesworth, The Old Testament Pseudepigrapha.

Links internos

O que são os livros deuterocanônicos?

O que é o cânon bíblico?

Fontes principais

Bible Odyssey: Apocrypha

Bible Odyssey: Apocryphal Christian Writings

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