Pais Apostólicos

1 Clemente

Carta da igreja de Roma à igreja de Corinto

Saudação

1A igreja de Deus que peregrina em Roma à igreja de Deus que peregrina em Corinto, aos chamados e santificados pela vontade de Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo: graça e paz vos sejam multiplicadas da parte do Deus todo-poderoso, por Jesus Cristo.

1O antigo testemunho dos coríntios

1Por causa das calamidades e adversidades repentinas que nos sobrevieram, irmãos, demoramos mais do que convinha a voltar nossa atenção para os assuntos discutidos entre vós. Referimo-nos à sedição impura e estranha aos eleitos de Deus, a qual alguns poucos, precipitados e arrogantes, acenderam a tal ponto que o vosso nome venerável, famoso e digno de amor, foi grandemente difamado.

2Quem habitou algum tempo entre vós e não aprovou a firmeza e a plenitude da vossa fé? Quem não admirou a sobriedade e a moderação de vossa piedade em Cristo? Quem não proclamou a grandeza de vossa hospitalidade? Quem não elogiou o vosso conhecimento perfeito e seguro?

3Fazíeis tudo sem acepção de pessoas e caminháveis segundo os mandamentos de Deus, obedecendo aos vossos líderes e prestando a devida honra aos presbíteros entre vós. Ensináveis os jovens a pensar com moderação e gravidade, e instruíeis as mulheres a cumprir tudo com consciência irrepreensível, decente e pura.

2Humildade, generosidade e paz

1Todos éreis humildes, sem vanglória, mais dispostos a obedecer do que a mandar, mais prontos a dar do que a receber. Contentando-vos com o que Deus concedia, escutáveis diligentemente suas palavras e as guardáveis no coração; seus sofrimentos estavam diante dos vossos olhos.

2Assim, uma paz profunda e fecunda era concedida a todos, junto com um desejo insaciável de fazer o bem. Uma abundante efusão do Espírito Santo caía sobre todos, e, cheios de santo propósito, estendíeis as mãos ao Deus todo-poderoso, suplicando que ele fosse misericordioso quando alguém pecasse involuntariamente.

3Havia entre vós luta dia e noite em favor de toda a fraternidade, para que, pela misericórdia e pela consciência, fosse salvo o número dos eleitos. Éreis sinceros e simples, sem guardar rancor; toda divisão e todo cisma vos eram abomináveis. Choráveis pelas faltas do próximo e consideráveis suas fraquezas como vossas.

3A inveja quebrou a paz

1Toda honra e crescimento vos foram concedidos, e então cumpriu-se o que está escrito: o amado comeu e bebeu, engordou, engrossou e recalcitrou. Daí nasceram ciúme e inveja, contenda e sedição, perseguição e desordem, guerra e cativeiro.

2Os desprezados levantaram-se contra os honrados; os sem reputação contra os ilustres; os insensatos contra os sábios; os jovens contra os idosos. Por isso a justiça e a paz afastaram-se de vós, pois cada um abandonou o temor de Deus e deixou sua fé nele enfraquecer.

3Já não caminhastes segundo seus preceitos, nem agistes de modo digno de Cristo. Cada um seguiu os desejos de seu próprio coração mau, reacendendo a inveja injusta e ímpia pela qual também a morte entrou no mundo.

4Exemplos antigos de inveja

1Está escrito que Caim ofereceu a Deus frutos da terra, e Abel, por sua vez, ofereceu dos primogênitos do rebanho e de sua gordura. Deus olhou para Abel e para seus dons, mas não olhou para Caim e suas ofertas. Caim entristeceu-se profundamente, e seu rosto caiu.

2Deus lhe disse: Por que te entristeceste, e por que caiu o teu rosto? Se ofereceste corretamente, mas não dividiste corretamente, não pecaste? Aquieta-te; para ti será o retorno dele, e tu o dominarás. Mas Caim disse a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. E, estando eles no campo, Caim levantou-se contra Abel e o matou.

3Vede, irmãos, a inveja e o ciúme produziram fratricídio. Por inveja, nosso pai Jacó fugiu da presença de Esaú, seu irmão. Por inveja, José foi perseguido até a morte e levado à escravidão. Por inveja, Moisés fugiu da presença do faraó, rei do Egito, depois de ouvir do próprio compatriota: Quem te constituiu juiz ou árbitro sobre nós? Queres matar-me como mataste ontem o egípcio?

5Pedro, Paulo e os mártires

1Por inveja, Aarão e Miriam foram postos fora do acampamento. Por inveja, Datã e Abirão desceram vivos ao mundo dos mortos, porque se rebelaram contra Moisés, servo de Deus. Por inveja, Davi não apenas foi odiado por estrangeiros, mas também perseguido por Saul, rei de Israel.

2Deixemos os exemplos antigos e venhamos aos atletas mais recentes; tomemos os nobres exemplos de nossa própria geração. Por inveja e ciúme, as maiores e mais justas colunas foram perseguidas e combateram até a morte.

3Ponhamos diante dos olhos os bons apóstolos. Pedro, por causa de inveja injusta, não sofreu uma ou duas, mas muitas fadigas; e, tendo dado testemunho, foi para o lugar de glória que lhe era devido. Paulo também mostrou o prêmio da paciência: sete vezes carregou cadeias, foi exilado, apedrejado, tornou-se arauto no Oriente e no Ocidente, e recebeu a nobre fama de sua fé.

4Depois de ensinar justiça ao mundo inteiro e chegar aos limites do Ocidente, deu testemunho diante dos governantes; assim partiu do mundo e foi recebido no lugar santo, tornando-se o maior exemplo de perseverança.

6Uma grande multidão sofreu por ciúme

1A esses homens de vida santa ajuntou-se grande multidão de eleitos que, por inveja, sofreram muitas afrontas e tormentos, tornando-se excelente exemplo entre nós.

2Por inveja, mulheres foram perseguidas e sofreram castigos cruéis e profanos, mas completaram com firmeza a corrida da fé e receberam nobre recompensa, embora fossem fracas no corpo.

3A inveja separou esposas de seus maridos e alterou a palavra de nosso pai Adão: Esta agora é osso dos meus ossos e carne da minha carne. A inveja e a discórdia derrubaram grandes cidades e arrancaram pela raiz grandes nações.

7Voltar ao arrependimento

1Escrevemos estas coisas, amados, não apenas para vos advertir, mas também para nos lembrar; pois estamos na mesma arena, e a mesma luta nos foi proposta. Abandonemos preocupações vazias e inúteis, e voltemos à regra gloriosa e venerável de nossa tradição.

2Vejamos o que é bom, agradável e aceitável diante daquele que nos criou. Fixemos os olhos no sangue de Cristo e reconheçamos quão precioso é para Deus seu Pai: derramado por nossa salvação, ele trouxe graça de arrependimento ao mundo inteiro.

3Percorramos todas as gerações e aprendamos que, de geração em geração, o Senhor concedeu lugar de arrependimento aos que desejaram voltar-se para ele.

8Pregadores do arrependimento

1Noé pregou arrependimento, e os que obedeceram foram salvos. Jonas anunciou destruição aos ninivitas; eles se arrependeram de seus pecados, suplicaram a Deus e receberam salvação, embora fossem estrangeiros a Deus.

2Os ministros da graça de Deus falaram, pelo Espírito Santo, sobre o arrependimento. E o próprio Senhor de todas as coisas falou com juramento: Vivo eu, diz o Senhor, não quero a morte do pecador, mas seu arrependimento.

3Ele acrescentou ainda uma sentença bondosa: Arrependei-vos, casa de Israel, de vossa iniquidade. Dize aos filhos do meu povo: ainda que vossos pecados cheguem da terra ao céu, e sejam mais vermelhos que escarlate e mais negros que pano de saco, se vos converterdes a mim de todo o coração e disserdes: Pai, eu vos ouvirei como povo santo.

9Obediência dos antigos

1Obedeçamos, portanto, à sua vontade magnífica e gloriosa. Suplicantes de sua misericórdia e bondade, prostremo-nos e voltemo-nos para sua compaixão, abandonando trabalhos inúteis, contendas e ciúmes que conduzem à morte.

2Fixemos o olhar nos que serviram perfeitamente à sua glória. Tomemos Enoque: encontrado justo na obediência, foi trasladado, e não se achou sua morte. Noé, achado fiel, pregou novo nascimento ao mundo; por meio dele o Senhor salvou os animais que entraram na arca em harmonia.

10Abraão, amigo de Deus

1Abraão, chamado amigo de Deus, foi encontrado fiel por obedecer às palavras de Deus. Por obediência saiu de sua terra, de sua parentela e da casa de seu pai, para herdar as promessas de Deus.

2Deus lhe disse: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei; farei de ti uma grande nação, abençoar-te-ei, engrandecerei teu nome, e serás uma bênção. Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão abençoadas todas as famílias da terra.

3Também por causa de sua fé e hospitalidade, foi-lhe dado um filho na velhice, e por obediência o ofereceu em sacrifício a Deus sobre um dos montes que ele lhe mostrou.

11Ló e a hospitalidade

1Por causa da hospitalidade e da piedade, Ló foi salvo de Sodoma, quando toda a região ao redor foi julgada por fogo e enxofre. O Senhor manifestou que não abandona os que esperam nele, mas entrega ao castigo os que se desviam.

2A esposa de Ló, que saiu com ele mas pensou de modo diferente e não permaneceu em harmonia, foi posta como sinal: tornou-se coluna de sal até este dia, para que todos saibam que os de coração duplo e os que duvidam do poder de Deus tornam-se juízo e sinal para todas as gerações.

12Raabe

1Por fé e hospitalidade, Raabe, a prostituta, foi salva. Quando Josué enviou espiões a Jericó, o rei da terra soube que vieram investigar o país e mandou homens para prendê-los. Mas a hospitaleira Raabe os recebeu e os escondeu no andar superior, debaixo de hastes de linho.

2Ela lhes disse: Sei que o Senhor Deus vos entrega esta terra, pois o temor e o pavor de vós caíram sobre seus moradores. Quando a tomardes, salvai a mim e à casa de meu pai. Eles lhe responderam que seria assim, contanto que reunisse os seus em casa e pendurasse um sinal escarlate.

3Com isso mostraram que por meio do sangue do Senhor haveria redenção para todos os que creem e esperam em Deus. Vedes, amados, que não havia somente fé naquela mulher, mas também profecia.

13Humildade e mansidão

1Sejamos humildes, irmãos, abandonando toda arrogância, presunção, insensatez e ira. Pratiquemos o que está escrito, pois o Espírito Santo diz: Não se glorie o sábio em sua sabedoria, nem o forte em sua força, nem o rico em sua riqueza; mas quem se gloria, glorie-se no Senhor, buscando-o e praticando o direito e a justiça.

2Lembremo-nos especialmente das palavras do Senhor Jesus, que ensinou mansidão e paciência: Sede misericordiosos, para que alcanceis misericórdia; perdoai, para que sejais perdoados; como fizerdes, assim vos será feito; como julgardes, assim sereis julgados; como tratardes o outro, assim sereis tratados; com a medida que medirdes, com ela sereis medidos.

3Firmemo-nos neste mandamento e nestas instruções, para caminhar com humildade em obediência às suas santas palavras. Pois a palavra santa diz: Para quem olharei, senão para o humilde, o manso, o que treme diante das minhas palavras?

14Não seguir os rebeldes

1É justo e santo, homens irmãos, obedecer a Deus antes que seguir os que, por orgulho e desordem, se fizeram chefes de inveja abominável. Incorreremos em grande perigo, ou antes em perigo mortal, se nos entregarmos imprudentemente à vontade de homens que se lançam à contenda e à rebelião para nos afastar do que é bom.

2Sejamos bondosos uns para com os outros segundo a compaixão e a doçura daquele que nos criou. Está escrito: Os bons habitarão a terra, os inocentes permanecerão nela; mas os transgressores serão arrancados dela. E ainda: Vi o ímpio exaltado e elevado como os cedros do Líbano; passei, e eis que não estava; procurei seu lugar, e não o encontrei. Guarda a inocência e contempla a retidão, pois há futuro para o homem de paz.

15Fugir da hipocrisia

1Unamo-nos, portanto, aos que praticam a paz com piedade, e não aos que desejam paz com hipocrisia. Pois está escrito: Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. E ainda: Com a boca bendiziam, mas com o coração amaldiçoavam.

2Também está escrito: Amavam-no com a boca e mentiam-lhe com a língua; seu coração não era reto para com ele, nem permaneceram fiéis à sua aliança. Por isso sejam emudecidos os lábios enganosos, que falam contra o justo com iniquidade. E ainda: Que o Senhor destrua todos os lábios enganosos, a língua arrogante, os que dizem: Engrandeceremos nossa língua; nossos lábios estão conosco; quem é senhor sobre nós?

3Por causa da miséria dos pobres e do gemido dos necessitados, agora me levantarei, diz o Senhor; porei em segurança aquele que é desprezado.

16Cristo, modelo de humildade

1Cristo pertence aos humildes, não aos que se exaltam sobre o seu rebanho. O cetro da majestade de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, não veio com ostentação de arrogância ou soberba, embora pudesse fazê-lo; veio em humildade, como o Espírito Santo falou a seu respeito.

2Está escrito: Senhor, quem creu em nossa mensagem? A quem foi revelado o braço do Senhor? Nós o anunciamos diante dele como criança, como raiz em terra seca. Não havia nele aparência nem glória; nós o vimos, e não tinha beleza, mas sua aparência era desprezada, inferior à dos homens. Era homem de dores, familiarizado com enfermidade, e seu rosto foi desonrado.

3Ele carrega nossos pecados e sofre por nós; nós o consideramos ferido, castigado e humilhado. Mas ele foi ferido por nossas iniquidades e moído por nossos pecados; o castigo que nos traz paz estava sobre ele, e por suas feridas fomos curados.

4Todos nos extraviamos como ovelhas, cada um se desviou por seu próprio caminho; e o Senhor o entregou por nossos pecados. Ele, maltratado, não abriu a boca; como ovelha foi levado ao matadouro, e como cordeiro mudo diante de quem o tosquia, assim não abriu a boca.

5Vedes, amados, o modelo que nos foi dado. Se o Senhor se humilhou assim, que faremos nós, que por meio dele viemos para debaixo do jugo de sua graça?

17Homens humildes agradaram a Deus

1Imitemos também os que andaram vestidos de peles de cabras e de ovelhas, anunciando a vinda de Cristo. Falamos de Elias, Eliseu e Ezequiel entre os profetas, e também daqueles que receberam bom testemunho.

2Abraão recebeu grande testemunho e foi chamado amigo de Deus; contudo, contemplando a glória de Deus, disse com humildade: Eu sou pó e cinza. Sobre Jó também está escrito que era justo, irrepreensível, verdadeiro, piedoso e afastado de todo mal; mas ele acusa a si mesmo dizendo: Ninguém está limpo de impureza, ainda que sua vida seja de um só dia.

3Moisés foi chamado fiel em toda a casa de Deus, e por seu ministério Deus julgou o Egito com pragas e sinais. Contudo, embora grandemente glorificado, não falou com arrogância; quando recebeu o oráculo na sarça, disse: Quem sou eu para que me envies? Sou fraco de voz e pesado de língua. E ainda: Sou vapor que sai de uma panela.

18Davi e a confissão do pecado

1Que diremos de Davi, que recebeu bom testemunho? Deus disse dele: Encontrei um homem segundo meu coração, Davi, filho de Jessé; com misericórdia eterna o ungi. Mas também ele diz a Deus: Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo tua grande misericórdia; segundo a multidão de tuas compaixões, apaga minha iniquidade.

2Lava-me ainda mais da minha injustiça e purifica-me do meu pecado; pois conheço minha iniquidade, e meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti somente pequei e fiz o mal diante de ti, para que sejas justificado em tuas palavras e venças quando fores julgado.

3E continua: Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova dentro de mim um espírito reto. Não me lances fora de tua presença, nem retires de mim teu Santo Espírito. Restitui-me a alegria da tua salvação e fortalece-me com espírito generoso.

19Paz e submissão

1Tendo, portanto, tantos exemplos tão grandes e gloriosos, voltemos à paz que desde o princípio nos foi entregue como alvo. Fixemos os olhos no Pai e Criador de todo o mundo, e apeguemo-nos a seus dons magníficos e excelentes de paz e benefícios.

2Contemplemo-lo com a mente e olhemos com os olhos da alma para sua vontade paciente. Consideremos quão livre de ira ele é para com toda a sua criação.

20A ordem da criação

1Os céus, movidos por sua direção, obedecem-lhe em paz. Dia e noite completam o curso por ele determinado, sem impedir um ao outro. Sol, lua e coros das estrelas, segundo seu mandamento, giram em harmonia dentro dos limites fixados, sem desvio algum.

2A terra, frutificando segundo sua vontade nos tempos próprios, produz abundante alimento para homens, animais e todos os seres que vivem sobre ela, sem resistência nem alteração do que ele decretou. Os insondáveis abismos e as regiões indescritíveis do mundo inferior são mantidos pelas mesmas ordens.

3O mar imenso, reunido por sua obra em reservatórios, não ultrapassa os limites que lhe foram postos, mas faz como ele ordenou. Ele disse: Até aqui virás, e aqui se quebrarão tuas ondas. O oceano, inacessível aos homens, e os mundos além dele são governados pelas mesmas leis do Senhor.

4As estações da primavera, do verão, do outono e do inverno sucedem-se em paz. Os ventos, cada um a seu tempo, cumprem seu serviço sem perturbação. Fontes inesgotáveis, criadas para deleite e saúde, oferecem sem cessar seus seios para a vida humana. Até os menores seres se reúnem em concórdia e paz.

5Tudo isso o grande Criador e Senhor de todas as coisas ordenou que existisse em paz e harmonia, fazendo o bem a todos, mas de modo ainda mais abundante a nós, que nos refugiamos em suas misericórdias por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. A ele seja glória e majestade pelos séculos dos séculos. Amém.

21Vigiar para não cair

1Cuidai, amados, para que seus muitos benefícios não se tornem condenação para todos nós, se não vivermos de modo digno dele, fazendo com concórdia o que é bom e agradável aos seus olhos.

2Está escrito: O Espírito do Senhor é lâmpada que examina as profundezas do ventre. Consideremos quão perto ele está e que nenhum pensamento nem raciocínio que fazemos lhe escapa.

3É justo, portanto, que não desertemos de sua vontade. Ofendamos antes homens insensatos, imprudentes e exaltados em sua fala do que a Deus. Reverenciemos o Senhor Jesus Cristo, cujo sangue foi entregue por nós; honremos nossos líderes; respeitemos os presbíteros; eduquemos os jovens no temor de Deus; orientemos nossas mulheres para o bem.

22A Escritura confirma estas coisas

1Tudo isso é confirmado pela fé em Cristo, pois ele mesmo nos chama por meio do Espírito Santo: Vinde, filhos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor. Quem é o homem que deseja a vida e ama ver dias bons? Guarda tua língua do mal e teus lábios de falarem engano. Afasta-te do mal e faze o bem; busca a paz e segue-a.

2Os olhos do Senhor estão sobre os justos, e seus ouvidos atentos à sua súplica; mas a face do Senhor está contra os que fazem o mal, para apagar da terra a memória deles. O justo clamou, e o Senhor o ouviu e o livrou de todas as suas tribulações. Muitas são as aflições dos justos, mas de todas o Senhor os livrará.

3E ainda está escrito: Muitos são os açoites do pecador, mas a misericórdia cercará os que esperam no Senhor.

23Não duvidar das promessas

1O Pai misericordioso e bondoso tem compaixão dos que o temem e concede seus dons com gentileza e amor aos que se aproximam dele com coração simples. Por isso não sejamos de coração duplo, nem se exalte nossa alma contra seus dons excelentes e gloriosos.

2Longe de nós a Escritura que diz: Miseráveis são os de coração duplo, os que duvidam em sua alma e dizem: Ouvimos essas coisas também no tempo de nossos pais, e eis que envelhecemos, mas nada disso nos aconteceu.

3Insensatos! Comparai-vos a uma árvore: tomai a videira. Primeiro ela perde as folhas, depois brota, depois nasce a folha, depois a flor, depois a uva verde, e enfim aparece o cacho maduro. Vedes que em pouco tempo o fruto da árvore chega à maturidade. Em verdade, rapidamente se cumprirá a vontade de Deus, como também a Escritura testemunha: Ele virá depressa e não tardará; e subitamente virá ao seu templo o Senhor que vós esperais.

24A ressurreição

1Consideremos, amados, como o Senhor continuamente nos mostra a ressurreição futura, da qual fez primícias o Senhor Jesus Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos.

2Vejamos a ressurreição que acontece a seu tempo. Dia e noite nos mostram ressurreição: a noite adormece, o dia se levanta; o dia se vai, a noite chega. Tomemos os frutos: como e de que modo acontece a semeadura? O semeador saiu e lançou cada semente sobre a terra; elas caem secas e nuas, e se decompõem; então, da decomposição, a magnificência da providência do Senhor as faz ressurgir, e de uma só muitas crescem e dão fruto.

25O sinal da fênix

1Consideremos ainda o sinal maravilhoso que se encontra nas regiões do Oriente, isto é, na Arábia. Há uma ave chamada fênix. Sendo única, vive muitos anos; quando se aproxima de morrer, faz para si um ninho de incenso, mirra e outras especiarias, entra nele ao completar seu tempo e morre.

2Da carne em decomposição nasce uma espécie de verme, alimentado pela umidade do animal morto; ele cria asas. Depois, fortalecido, toma aquele ninho onde estão os ossos de seu predecessor e o leva da Arábia até o Egito, à cidade chamada Heliópolis.

3Em pleno dia, à vista de todos, voa até o altar do sol, deposita ali o ninho e retorna. Então os sacerdotes consultam os registros dos tempos e verificam que ele veio quando se completou o período determinado.

26Deus pode ressuscitar os mortos

1Julgaríamos grande e admirável que o Criador de todas as coisas ressuscite os que o serviram santamente na confiança de uma boa fé, quando ele até por uma ave mostra a grandeza de sua promessa?

2Está escrito: Tu me levantarás, e eu te confessarei. E ainda: Deitei-me e dormi; despertei, porque tu estás comigo. Também Jó diz: Tu ressuscitarás esta minha carne, que sofreu todas essas coisas.

27Fiel é aquele que prometeu

1Com esta esperança, apeguemo-nos àquele que é fiel em suas promessas e justo em seus juízos. Aquele que ordenou que não mentíssemos muito menos mentirá; nada é impossível para Deus, exceto mentir.

2Reacenda-se em nós a fé nele, e consideremos que todas as coisas estão próximas dele. Com a palavra de sua majestade formou todas as coisas, e com uma palavra pode destruí-las. Quem lhe dirá: Que fizeste? Ou quem resistirá ao poder de sua força? Ele fará tudo quando quiser e como quiser, e nada passará do que decretou.

28Deus vê tudo

1Todas as coisas estão diante dele, e nada se esconde de sua vontade. Se os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos; se o dia comunica palavra ao dia e a noite transmite conhecimento à noite, não há fala nem língua em que não se ouça sua voz.

2Como todas as coisas são vistas e ouvidas por ele, temamo-lo e abandonemos os desejos impuros de más obras, para sermos protegidos por sua misericórdia dos juízos futuros. Para onde alguém fugirá da sua mão poderosa? Que mundo receberá qualquer desertor de Deus?

29Povo escolhido

1Aproximemo-nos dele em santidade de alma, levantando mãos puras e sem contaminação para aquele que é Pai bondoso e compassivo, que fez de nós sua porção escolhida.

2Está escrito: Quando o Altíssimo dividiu as nações, quando dispersou os filhos de Adão, fixou os limites dos povos segundo o número dos anjos de Deus; mas a porção do Senhor foi seu povo Jacó, Israel a parte de sua herança. E em outro lugar: Eis que o Senhor toma para si uma nação dentre as nações, como alguém toma as primícias de sua eira; e do meio dessa nação sairá o Santo dos santos.

30Viver como porção santa

1Sendo, portanto, porção do Santo, façamos tudo o que pertence à santidade: fujamos da maledicência, dos abraços impuros e contaminados, da embriaguez, da busca por novidades, dos desejos vergonhosos, do adultério detestável e do orgulho odioso.

2Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Apeguemo-nos, pois, aos que receberam graça de Deus. Revistamo-nos de concórdia, sendo humildes, continentes e afastados de toda murmuração e difamação, justificados por obras e não por palavras.

3Está escrito: Aquele que fala muito também ouvirá em resposta; acaso o falador pensa ser justo? Bendito o nascido de mulher que vive pouco; não sejas abundante em palavras. Que o nosso louvor venha de Deus, não de nós mesmos; pois Deus odeia os que se louvam a si mesmos.

31Bênção pela fé e pela obediência

1Apeguemo-nos à bênção e vejamos quais são seus caminhos. Percorramos desde o princípio o que aconteceu. Por que nosso pai Abraão foi abençoado? Não foi porque praticou justiça e verdade por meio da fé?

2Isaac, sabendo com confiança o que viria, foi levado voluntariamente como sacrifício. Jacó, com humildade, afastou-se de sua terra por causa de seu irmão, foi até Labão, serviu, e a ele foram dados os doze cetros de Israel.

32Graça, não vanglória

1Se alguém considerar essas coisas com sinceridade, reconhecerá a grandeza dos dons concedidos por Deus. De Jacó procedem todos os sacerdotes e levitas que servem ao altar de Deus; dele veio o Senhor Jesus segundo a carne; dele vieram reis, príncipes e chefes segundo Judá. As demais tribos não têm menor honra, pois Deus prometeu: Tua descendência será como as estrelas do céu.

2Todos eles foram glorificados e engrandecidos não por si mesmos, nem por suas obras ou pela justiça que praticaram, mas pela vontade de Deus. Assim também nós, chamados por sua vontade em Cristo Jesus, não somos justificados por nós mesmos, nem por nossa sabedoria, entendimento, piedade ou obras feitas em santidade de coração, mas pela fé, pela qual o Deus todo-poderoso justificou todos desde o princípio. A ele seja glória pelos séculos dos séculos. Amém.

3Que faremos então, irmãos? Deixaremos as boas obras e abandonaremos o amor? Que o Senhor jamais permita que isso aconteça conosco. Antes, apressemo-nos com zelo e boa disposição a completar toda boa obra.

33Deus trabalha e quer boas obras

1O próprio Criador e Senhor de todas as coisas alegra-se em suas obras. Com seu poder supremo firmou os céus e, em sua sabedoria incompreensível, os ordenou. Separou a terra da água que a cercava e a estabeleceu sobre o fundamento seguro de sua vontade. Com seu mandamento chamou à existência os animais que nela se movem. Preparou o mar e os seres que nele vivem, encerrando-os por seu poder.

2Acima de tudo, com suas mãos santas e puras formou o homem, criatura excelente e grande, imagem de sua própria semelhança. Pois Deus disse: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança; e Deus fez o homem: macho e fêmea os criou.

3Tendo terminado todas essas coisas, elogiou-as, abençoou-as e disse: Crescei e multiplicai-vos. Vemos que todos os justos foram adornados de boas obras, e o próprio Senhor, adornando-se com obras, alegrou-se. Tendo tal exemplo, submetamo-nos sem demora à sua vontade e pratiquemos a justiça com toda a força.

34Serviço diligente

1O bom trabalhador recebe com confiança o pão de seu trabalho; o preguiçoso e negligente não olha de frente para quem o empregou. É necessário, portanto, que sejamos prontos para fazer o bem, pois dele vêm todas as coisas.

2Ele nos adverte: Eis o Senhor, e sua recompensa está diante de sua face, para dar a cada um segundo sua obra. Por isso nos exorta a crer nele de todo o coração e a não sermos ociosos nem negligentes em nenhuma boa obra.

3Nosso orgulho e confiança estejam nele; submetamo-nos à sua vontade. Consideremos toda a multidão dos anjos: estão diante dele e servem à sua vontade. A Escritura diz: Milhares de milhares o serviam, e miríades de miríades estavam diante dele, e clamavam: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a criação está cheia de sua glória.

4Também nós, reunidos em concórdia numa só consciência, clamemos a ele intensamente como de uma só boca, para participarmos de suas grandes e gloriosas promessas.

35Os bens prometidos

1Quão felizes e admiráveis são os dons de Deus, amados! Vida em imortalidade, esplendor em justiça, verdade em liberdade, fé em confiança, domínio próprio em santidade: tudo isso se tornou acessível à nossa compreensão. Que coisas, então, estão preparadas para os que esperam nele? O Criador e Pai dos séculos, o Santíssimo, conhece sua grandeza e beleza.

2Lutemos, portanto, para sermos encontrados no número dos que esperam nele, a fim de participarmos dos dons prometidos. Mas como acontecerá isso, amados? Se nossa mente estiver firmada em Deus pela fé; se buscarmos o que lhe é agradável e aceitável; se cumprirmos o que convém à sua vontade irrepreensível; se seguirmos o caminho da verdade, lançando fora toda injustiça e maldade, avareza, contendas, maus costumes, engano, murmuração e difamação, ódio a Deus, soberba, arrogância, vaidade e falta de hospitalidade.

3Os que praticam tais coisas são odiosos a Deus, e não apenas os que as praticam, mas também os que nelas consentem. Pois a Escritura diz ao pecador: Por que anuncias meus estatutos e tomas minha aliança em tua boca, se odeias a disciplina e lanças minhas palavras para trás?

36Cristo, caminho da salvação

1Este é o caminho, amados, no qual encontramos nossa salvação: Jesus Cristo, o sumo sacerdote de nossas ofertas, o protetor e socorro de nossa fraqueza. Por meio dele olhamos para as alturas dos céus; por meio dele contemplamos como num espelho a face imaculada e suprema de Deus; por meio dele foram abertos os olhos do nosso coração; por meio dele nossa mente insensata e escurecida floresce para a luz; por meio dele o Senhor quis que provássemos o conhecimento imortal.

2Sendo o resplendor de sua majestade, ele é tanto maior que os anjos quanto herdou nome mais excelente. Está escrito: Ele faz de seus anjos ventos e de seus ministros chamas de fogo. Mas a respeito de seu Filho o Senhor disse: Tu és meu Filho; hoje eu te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança e os confins da terra por tua possessão.

3E ainda lhe diz: Senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos por estrado de teus pés. Quem são seus inimigos? Os maus e os que resistem à vontade de Deus.

37Disciplina como exército

1Lutemos, portanto, irmãos, com toda seriedade, debaixo de suas ordens irrepreensíveis. Consideremos os soldados que servem aos nossos governantes: com que ordem, prontidão e submissão cumprem o que lhes é ordenado. Nem todos são prefeitos, tribunos, centuriões ou comandantes de cinquenta, e assim por diante; mas cada um, em sua própria posição, executa as ordens do rei e dos chefes.

2Os grandes não podem existir sem os pequenos, nem os pequenos sem os grandes. Há mistura em todas as coisas, e nisso há utilidade. Tomemos nosso corpo: a cabeça nada é sem os pés, e os pés nada são sem a cabeça. Até os menores membros do corpo são necessários e úteis ao todo; todos cooperam e se submetem a uma só ordem para que todo o corpo seja salvo.

38Cada um em seu lugar

1Assim, seja salvo todo o nosso corpo em Cristo Jesus, e cada um se submeta ao seu próximo segundo o dom que recebeu. O forte cuide do fraco; o fraco respeite o forte. O rico socorra o pobre; o pobre dê graças a Deus por lhe ter dado alguém que supra sua necessidade.

2O sábio mostre sua sabedoria não em palavras, mas em boas obras. O humilde não dê testemunho de si mesmo, mas permita que outro testemunhe a seu favor. O puro na carne não se vanglorie, sabendo que outro lhe concede continência.

3Consideremos, irmãos, de que matéria fomos feitos; quem e que tipo de seres éramos quando entramos no mundo. Aquele que nos criou e formou nos introduziu nele a partir de um túmulo e de trevas, preparando seus benefícios antes mesmo de nascermos. Recebendo, portanto, tudo dele, devemos dar graças por tudo a ele. A ele seja glória pelos séculos dos séculos. Amém.

39A insensatez dos orgulhosos

1Os insensatos, ignorantes, tolos e sem instrução zombam de nós e nos ridicularizam, querendo exaltar-se em seus próprios pensamentos. Mas que pode um mortal? Que força tem alguém nascido da terra?

2Está escrito: Não havia forma diante dos meus olhos, mas ouvi um sopro e uma voz: Que é o homem para ser puro? Ou o nascido de mulher para ser justo? Se Deus não confia nos seus servos e até nos seus anjos encontra falha, quanto mais nos que habitam casas de barro, dos quais também nós somos feitos! Ele os golpeou como traça, e do amanhecer ao anoitecer deixaram de existir. Porque não puderam socorrer a si mesmos, pereceram. Soprou sobre eles, e morreram, por não terem sabedoria.

3Chama, se alguém te ouvir; ou se vires algum dos santos anjos. A ira mata o insensato, e a inveja destrói o que se desviou. Eu vi o tolo lançar raízes, mas logo sua habitação foi consumida. Seus filhos estejam longe da segurança; sejam desprezados às portas dos menores, e não haverá quem os livre. Aquilo que lhes foi preparado, os justos comerão; e eles não serão libertos de males.

40Ordem no culto

1Como estas coisas nos são claras de antemão, e olhamos para as profundezas do conhecimento divino, devemos fazer em ordem tudo o que o Senhor nos ordenou cumprir nos tempos determinados.

2Ele ordenou que ofertas e serviços fossem realizados, não de modo descuidado ou desordenado, mas em tempos e horas estabelecidos. Onde e por quem deseja que sejam feitos, ele mesmo determinou por sua vontade suprema, para que tudo aconteça santamente segundo sua boa vontade e seja agradável a ele.

3Felizes são os que oferecem nos tempos determinados, pois, seguindo as instruções do Senhor, não erram. Ao sumo sacerdote foram confiados serviços próprios; aos sacerdotes, um lugar próprio; aos levitas, ministérios próprios; ao leigo, mandamentos próprios.

41Servir dentro da própria ordem

1Cada um de nós, irmãos, agrade a Deus em sua própria ordem, vivendo em boa consciência, sem ultrapassar a regra estabelecida de seu serviço, com reverência.

2Não em todo lugar, irmãos, eram oferecidos sacrifícios contínuos, votos, ofertas pelo pecado e pela culpa, mas somente em Jerusalém; e mesmo ali não em qualquer lugar, mas diante do santuário, no altar, depois que a oferta era examinada pelo sumo sacerdote e pelos ministros já mencionados.

3Os que fazem alguma coisa contra a vontade dele recebem morte como pena. Vedes, irmãos: quanto maior o conhecimento que nos foi concedido, maior o perigo a que estamos sujeitos.

42Apostolado e ministros

1Os apóstolos receberam o evangelho para nós da parte do Senhor Jesus Cristo; Jesus Cristo foi enviado por Deus. Cristo, portanto, vem de Deus, e os apóstolos vêm de Cristo. Ambas as coisas aconteceram ordenadamente, segundo a vontade de Deus.

2Recebendo instruções e plenamente convencidos pela ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, e confirmados na palavra de Deus com plena certeza do Espírito Santo, eles saíram anunciando que o reino de Deus estava para vir.

3Pregando em campos e cidades, estabeleciam suas primícias, depois de prová-las pelo Espírito, como bispos e diáconos daqueles que haveriam de crer. E isso não era novidade, pois há muito fora escrito a respeito de bispos e diáconos: Estabelecerei seus bispos em justiça e seus diáconos em fé.

43Exemplo de Moisés e Arão

1E que há de admirável se aqueles que em Cristo receberam de Deus tal obra estabeleceram os ministros mencionados? Também o bem-aventurado Moisés, servo fiel em toda a casa, registrou nos livros sagrados tudo o que lhe foi ordenado; e os demais profetas seguiram seu testemunho quanto às leis dadas por ele.

2Quando surgiu disputa sobre o sacerdócio e as tribos discutiam qual delas seria adornada com esse nome glorioso, Moisés ordenou que os doze chefes trouxessem varas, cada uma com o nome de uma tribo. Tomou-as, amarrou-as, selou-as com os anéis dos chefes e as colocou no tabernáculo do testemunho, sobre a mesa de Deus.

3Depois de fechar o tabernáculo, selou as chaves como havia selado as varas. Disse-lhes: Homens irmãos, a tribo cuja vara brotar foi escolhida por Deus para exercer o sacerdócio e o ministério. Ao amanhecer, reuniu todo Israel, apresentou os selos, abriu o tabernáculo e tirou as varas. A vara de Arão não apenas brotara, mas também dera fruto.

4Que pensais, amados? Moisés não sabia de antemão que isso aconteceria? Sabia, sim. Mas agiu assim para que não houvesse tumulto em Israel, e para que fosse glorificado o nome do Deus verdadeiro e único. A ele seja glória pelos séculos dos séculos. Amém.

44Sucessão e remoção injusta

1Também os nossos apóstolos sabiam, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, que haveria contenda a respeito do nome do episcopado. Por essa razão, tendo recebido perfeito conhecimento, estabeleceram os já mencionados e depois deram instrução para que, quando estes adormecessem, outros homens aprovados os sucedesse no ministério.

2Aqueles que foram estabelecidos por eles, ou depois por outros homens eminentes, com o consentimento de toda a igreja, e que serviram irrepreensivelmente ao rebanho de Cristo com humildade, calma e dignidade, recebendo por muito tempo bom testemunho de todos, não julgamos justo removê-los de seu ministério.

3Não será pequeno pecado para nós expulsar do episcopado aqueles que ofereceram os dons de modo irrepreensível e santo. Felizes os presbíteros que terminaram sua jornada antes e tiveram partida frutífera e perfeita; pois não temem que alguém os remova do lugar que lhes foi designado.

4Vemos que removestes alguns de conduta excelente do ministério que exerciam de modo honroso e irrepreensível.

45As Escrituras não autorizam perseguição aos justos

1Sede zelosos, irmãos, e ardentes pelas coisas que pertencem à salvação. Inclinastes-vos sobre as Escrituras, que são verdadeiras e dadas pelo Espírito Santo. Sabeis que nada injusto ou falsificado está escrito nelas. Não encontrareis que justos foram expulsos por homens santos.

2Justos foram perseguidos, mas por ímpios; foram presos, mas por profanos; apedrejados, mas por transgressores; mortos, mas por homens tomados por inveja impura e injusta. Sofrendo tais coisas, suportaram-nas com glória.

3Que diremos, irmãos? Daniel foi lançado na cova dos leões por homens que temiam a Deus? Ananias, Azarias e Misael foram encerrados na fornalha ardente por homens que praticavam o culto magnífico e glorioso do Altíssimo? De modo nenhum. Quem, então, fez tais coisas? Homens odiosos, cheios de maldade, que se enfureceram contra os que serviam a Deus em santo e irrepreensível propósito.

4Eles não sabiam que o Altíssimo é defensor e protetor dos que servem ao seu excelente nome com consciência pura. A ele seja glória pelos séculos dos séculos. Amém.

46Apegar-se aos inocentes

1Apeguemo-nos, portanto, aos inocentes e justos, pois estes são eleitos de Deus. Por que há entre vós contendas, iras, dissensões, divisões e guerra? Não temos um só Deus, um só Cristo, um só Espírito de graça derramado sobre nós e uma só vocação em Cristo?

2Por que rasgamos e despedaçamos os membros de Cristo? Por que nos revoltamos contra nosso próprio corpo? Por que chegamos a tal loucura que esquecemos que somos membros uns dos outros? Lembrai-vos das palavras de Jesus, nosso Senhor: Ai daquele homem; melhor lhe seria não ter nascido do que escandalizar um dos meus eleitos. Melhor lhe seria pendurar uma pedra de moinho e ser lançado ao mar do que perverter um dos meus pequenos.

3Vosso cisma perverteu muitos, desanimou muitos, lançou muitos em dúvida e trouxe tristeza a todos nós. E ainda assim vossa rebelião permanece.

47A vergonha da divisão em Corinto

1Tomai a carta do bem-aventurado apóstolo Paulo. Que vos escreveu ele no princípio do evangelho? Em verdade, sob inspiração do Espírito, escreveu-vos a respeito de si mesmo, de Cefas e de Apolo, porque já então formáveis partidos.

2Mas aquela divisão trazia menos culpa, pois vos inclináveis para apóstolos de testemunho reconhecido e para um homem aprovado por eles. Agora, porém, considerai quem vos perverteu e diminuiu a honra do vosso amor fraterno tão celebrado.

3É vergonhoso, amados, muito vergonhoso e indigno da conduta em Cristo, ouvir que a igreja de Corinto, tão firme e antiga, por causa de uma ou duas pessoas faz rebelião contra seus presbíteros. E essa notícia chegou não apenas a nós, mas também aos que pensam diferente de nós, de modo que por vossa insensatez o nome do Senhor é blasfemado, e vós mesmos vos expondes a perigo.

48Arrancar o mal pela raiz

1Eliminemos isso rapidamente. Prostremo-nos diante do Senhor, chorando e suplicando que ele se reconcilie conosco e nos restaure à santa e pura prática do amor fraterno. Pois esta é a porta da justiça aberta para a vida, como está escrito: Abri-me as portas da justiça; entrarei por elas e confessarei ao Senhor. Esta é a porta do Senhor; os justos entrarão por ela.

2Embora muitas portas estejam abertas, a porta da justiça é esta: a que está em Cristo. Felizes todos os que entram por ela e dirigem seu caminho em santidade e justiça, fazendo tudo sem perturbação.

3Se alguém é fiel, se é poderoso para expor conhecimento, se é sábio no discernimento de palavras, se é puro em obras, tanto mais deve ser humilde quanto mais parece ser grande, e deve buscar o proveito comum de todos, não o seu próprio.

49O amor

1Quem possui amor em Cristo cumpra os mandamentos de Cristo. Quem pode explicar o vínculo do amor de Deus? Quem é capaz de expressar a magnificência de sua beleza? A altura a que o amor conduz é indescritível.

2O amor nos une a Deus; o amor cobre multidão de pecados; o amor tudo suporta, tudo é paciente. Nada vulgar, nada arrogante há no amor. O amor não cria divisão, não promove sedição, faz tudo em concórdia. No amor foram aperfeiçoados todos os eleitos de Deus; sem amor, nada é agradável a Deus.

3Em amor o Senhor nos tomou para si. Por causa do amor que teve por nós, Jesus Cristo, nosso Senhor, entregou seu sangue por nós segundo a vontade de Deus: sua carne por nossa carne, sua vida por nossa vida.

50Buscar o amor

1Vedes, amados, quão grande e admirável é o amor, e sua perfeição não pode ser explicada. Quem é considerado digno de ser encontrado nele, senão aquele a quem Deus quiser conceder? Oremos, portanto, e peçamos à sua misericórdia que sejamos encontrados no amor, sem parcialidade humana e sem culpa.

2Todas as gerações, desde Adão até hoje, passaram; mas os que foram aperfeiçoados no amor, pela graça de Deus, têm lugar entre os piedosos, e serão manifestados quando o reino de Cristo aparecer.

3Está escrito: Entrai por um pouco de tempo em vossos aposentos, até que passem minha ira e meu furor; então me lembrarei do dia bom e vos levantarei de vossos túmulos. Felizes somos, amados, se praticarmos os mandamentos de Deus na concórdia do amor, para que, por meio do amor, nossos pecados sejam perdoados.

51Confessar as faltas

1Peçamos, portanto, perdão por todas as transgressões que cometemos, provocados por alguma sugestão do adversário. Quanto aos que foram líderes de sedição e divisão, devem considerar a esperança comum. Os que vivem em temor e amor preferem sofrer eles mesmos a ver o próximo sofrer; preferem que a condenação caia sobre si a ver condenada a concórdia que nos foi transmitida de modo nobre e justo.

2É melhor para alguém confessar suas faltas do que endurecer o coração, como se endureceu o coração dos que se rebelaram contra Moisés, servo de Deus. O julgamento deles foi evidente: desceram vivos ao mundo dos mortos, e a morte os pastoreou.

3Faraó, seu exército e todos os líderes do Egito, com carros e cavaleiros, foram submersos no mar Vermelho e pereceram por causa da dureza de seus corações, depois dos sinais e maravilhas realizados no Egito por Moisés, servo de Deus.

52Deus nada precisa, exceto confissão sincera

1Irmãos, o Senhor de todas as coisas não precisa de nada. Ele não exige coisa alguma de ninguém, exceto que se confesse a ele. Davi, o escolhido, diz: Confessarei ao Senhor, e isso lhe agradará mais do que novilho novo com chifres e cascos. Vejam os pobres e alegrem-se.

2E ainda: Oferece a Deus sacrifício de louvor e cumpre ao Altíssimo teus votos; invoca-me no dia da tribulação, e eu te livrarei, e tu me glorificarás. O sacrifício agradável a Deus é espírito quebrantado.

53Moisés intercede pelo povo

1Conheceis, e conheceis bem, as Escrituras sagradas, amados; inclinastes-vos sobre os oráculos de Deus. Escrevemos estas coisas para lembrar-vos. Quando Moisés subiu ao monte e permaneceu quarenta dias e quarenta noites em jejum e humilhação, Deus lhe disse: Moisés, desce depressa daqui, pois teu povo, que tiraste da terra do Egito, transgrediu. Depressa se afastaram do caminho que lhes ordenaste; fizeram para si imagens fundidas.

2E o Senhor disse: Falei a ti uma vez e outra: vi este povo, e eis que é povo de dura cerviz. Deixa-me destruí-lo, apagar seu nome de debaixo do céu, e farei de ti uma nação grande e admirável, muito mais numerosa que esta.

3Mas Moisés respondeu: De modo nenhum, Senhor. Perdoa o pecado deste povo; se não, apaga também a mim do livro dos vivos. Ó grande amor! Ó perfeição insuperável! O servo fala com liberdade ao Senhor: pede perdão para a multidão ou suplica que também ele seja apagado com eles.

54Quem ama a paz deve renunciar à própria honra

1Quem entre vós é nobre? Quem é compassivo? Quem está cheio de amor? Diga: se por minha causa há sedição, contenda e divisão, eu me retiro; vou para onde quiserdes e faço o que a comunidade ordenar, contanto que o rebanho de Cristo viva em paz com os presbíteros estabelecidos.

2Quem fizer isso ganhará para si grande glória em Cristo, e todo lugar o receberá, pois do Senhor é a terra e sua plenitude. Assim agiram e sempre agirão os que vivem como cidadãos de Deus, sem arrependimento.

55Exemplos de entrega pelo povo

1Para citar também exemplos dos gentios: muitos reis e líderes, em tempos de peste, seguindo oráculos, entregaram-se à morte para salvar seus cidadãos por meio de seu próprio sangue. Muitos deixaram suas cidades para que a rebelião cessasse.

2Conhecemos muitos entre nós que se entregaram às cadeias para resgatar outros; muitos se venderam à escravidão e, com o preço recebido por si, alimentaram outros. Muitas mulheres, fortalecidas pela graça de Deus, realizaram feitos corajosos.

3A bendita Judite, quando a cidade estava sitiada, pediu aos anciãos que lhe permitissem sair ao acampamento dos estrangeiros. Entregando-se ao perigo, saiu por amor à pátria e ao povo sitiado, e o Senhor entregou Holofernes nas mãos de uma mulher.

4Ester, perfeita na fé, não se expôs a menor perigo para salvar as doze tribos de Israel da destruição iminente. Com jejum e humilhação, suplicou ao Senhor que tudo vê, o Deus dos séculos; ele contemplou a humildade de sua alma e salvou o povo por amor do qual ela se arriscou.

56Corrigir e aceitar correção

1Intercedamos também pelos que caíram em alguma falta, para que lhes sejam concedidas mansidão e humildade, de modo que se submetam não a nós, mas à vontade de Deus. Assim a lembrança compassiva que fazemos deles diante de Deus e dos santos será frutífera e perfeita.

2Aceitemos a correção, contra a qual ninguém deve se indignar. A advertência que damos uns aos outros é boa e extremamente útil, pois nos une à vontade de Deus. A palavra santa diz: O Senhor me corrigiu severamente, mas não me entregou à morte.

3O Senhor corrige a quem ama, e açoita todo filho que recebe. O justo me corrigirá com misericórdia e me repreenderá, mas o óleo dos pecadores não unja minha cabeça. E ainda: Feliz o homem a quem o Senhor repreendeu; não rejeites a correção do Todo-poderoso, pois ele faz sofrer e restaura; fere, e suas mãos curam.

57Submeter-se aos presbíteros

1Vós, portanto, que lançastes o fundamento da sedição, submetei-vos aos presbíteros e recebei correção para arrependimento, dobrando os joelhos do coração. Aprendei a obedecer, deixando a ostentação arrogante e soberba de vossa língua, pois é melhor para vós serdes encontrados pequenos e estimados no rebanho de Cristo do que, parecendo superiores, serdes expulsos de sua esperança.

2Assim fala a excelente sabedoria: Eis que porei diante de vós o sopro de minha palavra; eu vos ensinarei minha fala. Porque chamei e não obedecestes, estendi palavras e não destes atenção, mas tornastes inúteis meus conselhos e não acolhestes minhas repreensões, também eu rirei de vossa destruição; alegrar-me-ei quando vier sobre vós a ruína, quando chegar de repente a perturbação e a queda estiver presente como tempestade.

3Então me chamarão, e eu não ouvirei. Os maus me procurarão e não me encontrarão, pois odiaram a sabedoria e não escolheram o temor do Senhor, nem quiseram atender aos meus conselhos; zombaram de minhas repreensões. Por isso comerão os frutos de seu próprio caminho e se fartarão de sua impiedade.

58Obedecer para viver

1Obedeçamos ao nome santíssimo e glorioso de Deus, fugindo das ameaças pronunciadas pela sabedoria contra os desobedientes, para que habitemos confiantes no nome santíssimo de sua majestade.

2Recebei nosso conselho, e não vos arrependereis. Vivo é Deus, vivo é o Senhor Jesus Cristo e o Espírito Santo, fé e esperança dos eleitos: aquele que pratica com humildade, mansidão constante e sem arrependimento as ordenanças e mandamentos dados por Deus será colocado e contado entre os salvos por meio de Jesus Cristo. Por ele seja a Deus glória pelos séculos dos séculos. Amém.

59A oração da igreja

1Mas se alguns desobedecerem às palavras ditas por Deus por meio de nós, saibam que se envolverão em transgressão e perigo não pequeno. Nós, porém, seremos inocentes desse pecado e pediremos com oração e súplica constantes que o Criador de todas as coisas preserve intacto no mundo inteiro o número contado de seus eleitos, por meio de seu Filho amado, Jesus Cristo.

2Por meio dele nos chamou das trevas para a luz, da ignorância para o conhecimento da glória de seu nome; para esperarmos em teu nome, princípio de toda criação. Tu abriste os olhos do nosso coração para conhecermos a ti, o único Altíssimo nas alturas, Santo que repousa entre os santos; tu humilhas a soberba dos arrogantes, desfazes os planos dos povos, exaltas os humildes e abates os altivos; tu enriqueces e empobreces; tu matas e dás vida; tu és o único benfeitor dos espíritos e Deus de toda carne; tu sondas os abismos, observas as obras humanas, socorres os que estão em perigo e salvas os desesperados; criador e vigilante de todo espírito, tu multiplicas as nações sobre a terra e dentre todas escolheste os que te amam, por meio de Jesus Cristo, teu Filho amado, pelo qual nos ensinaste, santificaste e honraste.

3Pedimos-te, Senhor: sê nosso auxílio e defensor. Salva os aflitos entre nós; tem misericórdia dos humildes; levanta os caídos; mostra-te aos necessitados; cura os enfermos; reconduz os desviados do teu povo; alimenta os famintos; liberta os nossos presos; ergue os fracos; consola os desanimados. Que todas as nações conheçam que tu és Deus, tu somente, e que Jesus Cristo é teu Filho, e nós somos teu povo e ovelhas do teu pasto.

60Confissão ao Criador

1Tu, por tuas obras, manifestaste a ordem eterna do mundo. Tu, Senhor, criaste a terra; tu és fiel em todas as gerações, justo nos juízos, admirável em força e majestade, sábio ao criar e prudente ao firmar o que foi feito; bom nas coisas visíveis e fiel para com os que confiam em ti; misericordioso e compassivo, perdoa nossas iniquidades, injustiças, faltas e negligências.

2Não contes todo pecado de teus servos e servas; purifica-nos com a purificação de tua verdade e dirige nossos passos para andarmos em santidade de coração e fazermos o que é bom e agradável diante de ti e diante dos nossos governantes.

3Sim, Senhor, faze brilhar sobre nós tua face em paz para o nosso bem, para que sejamos protegidos por tua mão poderosa e libertos de todo pecado por teu braço elevado. Livra-nos dos que nos odeiam injustamente.

4Dá concórdia e paz a nós e a todos os habitantes da terra, como deste aos nossos pais quando te invocavam santamente em fé e verdade, para que sejamos salvos ao obedecer ao teu nome todo-poderoso e excelso, e aos nossos governantes e líderes sobre a terra.

61Oração pelos governantes

1Tu, Senhor e Mestre, deste aos governantes o poder da realeza por tua magnífica e indescritível força, para que, reconhecendo a glória e a honra que lhes concedeste, nos submetamos a eles sem contrariar tua vontade. Concede-lhes, Senhor, saúde, paz, concórdia e estabilidade, para que exerçam sem tropeço a autoridade que lhes deste.

2Pois tu, Mestre celestial, Rei dos séculos, dás aos filhos dos homens glória, honra e poder sobre as coisas da terra. Dirige, Senhor, o conselho deles segundo o que é bom e agradável diante de ti, para que, exercendo piedosamente, em paz e mansidão, o poder que lhes deste, encontrem em ti favor.

3Tu somente podes fazer essas coisas e muito mais por nós. A ti confessamos por meio do sumo sacerdote e protetor de nossas almas, Jesus Cristo, por quem te seja glória e majestade agora, de geração em geração, e pelos séculos dos séculos. Amém.

62Resumo da exortação

1A respeito do que convém à nossa religião e do que é mais útil para uma vida virtuosa aos que desejam conduzir-se em piedade e justiça, escrevemos-vos o suficiente, irmãos. Tocamos em todos os assuntos referentes à fé, ao arrependimento, ao verdadeiro amor, à continência, à sobriedade e à paciência.

2Lembramos que é necessário agradar santamente ao Deus todo-poderoso em justiça, verdade e longanimidade, vivendo em concórdia, sem guardar rancor, em amor e paz, com perseverante mansidão, assim como agradaram os pais que mencionamos, pela humildade diante do Pai, Deus e Criador, e diante de todos os homens.

3E escrevemos essas coisas com tanto maior alegria porque sabíamos que as dirigíamos a homens fiéis e estimados, que examinaram as palavras da instrução de Deus.

63Receber os mensageiros e restaurar a paz

1É justo, portanto, que, apoiados em tantos e tão grandes exemplos, submetais o pescoço e ocupeis o lugar da obediência, para que, pondo fim à vã sedição, alcanceis irrepreensivelmente o alvo que nos foi proposto em verdade.

2Dar-nos-eis alegria e satisfação se obedecerdes ao que escrevemos por meio do Espírito Santo e arrancardes pela raiz a ira injusta de vosso ciúme, conforme o pedido que fizemos nesta carta pela paz e concórdia.

3Enviamos homens fiéis e prudentes, que desde a juventude até a velhice viveram irrepreensivelmente entre nós; eles serão testemunhas entre vós e nós. Fizemos isso para que saibais que toda a nossa preocupação foi e é que rapidamente estejais em paz.

64Doxologia

1Que o Deus que tudo vê, o Senhor dos espíritos e de toda carne, que escolheu o Senhor Jesus Cristo e a nós por meio dele como povo particular, conceda a toda alma que invoca seu magnífico e santo nome fé, temor, paz, paciência, longanimidade, continência, pureza e sobriedade, para que seja agradável ao seu nome, por meio de nosso sumo sacerdote e protetor, Jesus Cristo.

2Por meio dele seja a Deus glória, majestade, poder e honra, agora e pelos séculos dos séculos. Amém.

65Conclusão

1Enviai de volta com rapidez, em paz e alegria, nossos mensageiros Cláudio Efebo, Valério Bitão e Fortunato, para que mais depressa nos anunciem a paz e a concórdia tão desejadas e almejadas por nós, e assim também nós nos alegremos prontamente com a vossa boa ordem.

2A graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco e com todos em toda parte que foram chamados por Deus por meio dele. Por ele sejam a Deus glória, honra, poder, majestade e domínio eterno, de século em século. Amém.