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O que é a Septuaginta?
Entenda a tradução grega das Escrituras judaicas, sua importância para o cristianismo antigo e sua relação com os deuterocanônicos.
Nota editorial: este texto é informativo e histórico. Ele não pretende substituir a orientação de uma tradição religiosa específica, nem resolver debates confessionais. Quando houver divergência entre tradições, o artigo procura descrevê-las de forma neutra.
Em resumo
A Septuaginta, também chamada de LXX, é a antiga tradução grega das Escrituras judaicas. Ela começou provavelmente com a tradução da Torá no Egito helenístico, especialmente em Alexandria, a partir do século III a.C. Com o tempo, outros livros foram traduzidos ou compostos em grego.
A Septuaginta foi muito importante para judeus de língua grega e para os primeiros cristãos. Muitas citações do Antigo Testamento no Novo Testamento se aproximam da forma grega da Septuaginta.
Por que o nome Septuaginta?
O nome vem da tradição dos “setenta” ou “setenta e dois” tradutores. Segundo a narrativa antiga conhecida como Carta de Aristeias, sábios judeus teriam traduzido a Lei para o grego a pedido de Ptolomeu II. A historicidade exata dessa narrativa é debatida, mas ela preserva uma memória importante: havia necessidade de Escrituras judaicas em grego no mundo helenístico.
Por isso, “Septuaginta” pode se referir estritamente à tradução grega da Torá ou, em sentido mais amplo, à coleção grega das Escrituras judaicas e textos relacionados.
Por que uma tradução grega era necessária?
Depois das conquistas de Alexandre, o grego comum, ou koiné, tornou-se língua ampla de comunicação no Mediterrâneo oriental. Muitos judeus da diáspora, especialmente no Egito, viviam em ambiente grego e precisavam de textos sagrados acessíveis nessa língua.
A Septuaginta nasceu nesse contexto: judaísmo, diáspora, helenismo, liturgia e educação.
A Septuaginta é igual ao Tanakh?
Não exatamente. Ela traduz muitos livros que correspondem ao Tanakh, mas a tradição grega também inclui livros e acréscimos que não fazem parte do cânon judaico rabínico. Isso inclui textos que depois foram chamados de deuterocanônicos por católicos e ortodoxos, ou apócrifos por protestantes.
Além disso, a ordem dos livros na tradição grega se aproxima mais da organização que influenciou Bíblias cristãs: Lei, livros históricos, poéticos/sapienciais e proféticos.
Por que ela é importante para o Novo Testamento?
O Novo Testamento foi escrito em grego. Quando seus autores citam as Escrituras de Israel, muitas citações aparecem em forma próxima à Septuaginta. Isso não significa que todos usassem apenas um texto grego fixo, mas mostra que a tradição grega das Escrituras era muito influente.
Para o cristianismo antigo, a Septuaginta foi uma ponte: permitiu que comunidades de língua grega lessem, citassem e interpretassem as Escrituras judaicas.
A Septuaginta é uma tradução literal?
Depende do livro. A Septuaginta não foi traduzida por uma única pessoa, em um único momento, com um único método. Alguns livros são mais literais em relação ao hebraico; outros são mais livres. Alguns podem refletir formas hebraicas diferentes daquelas preservadas no Texto Massorético medieval.
Por isso, a Septuaginta é importante não só como tradução, mas também como testemunha de tradições textuais antigas.
Ela prova que os deuterocanônicos sempre foram canônicos?
A resposta precisa ser cuidadosa. A presença de livros em manuscritos gregos e seu uso em comunidades antigas mostram importância e circulação. Mas “estar em uma coleção” e “ser canônico no mesmo sentido em todas as comunidades” não são a mesma coisa.
Católicos e ortodoxos veem a tradição da Septuaginta como parte importante da recepção desses livros. Protestantes tendem a distinguir valor histórico e litúrgico de autoridade canônica. O dado histórico é que a Septuaginta influenciou profundamente a Bíblia cristã.
Como a Septuaginta é usada hoje?
Ela é usada em estudos bíblicos, crítica textual, história do judaísmo helenístico, estudos do Novo Testamento e tradições litúrgicas ortodoxas. Comparar o Texto Massorético, a Septuaginta e os Manuscritos do Mar Morto ajuda estudiosos a reconstruir a história textual de várias passagens.
Para leitores comuns, a Septuaginta explica por que certas citações do Antigo Testamento no Novo Testamento parecem diferentes da tradução comum do Antigo Testamento em português.
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Fontes e leituras recomendadas
- NETS, New English Translation of the Septuagint.
- International Organization for Septuagint and Cognate Studies.
- Emanuel Tov, Textual Criticism of the Hebrew Bible.
- Karen H. Jobes e Moisés Silva, Invitation to the Septuagint.
- Encyclopaedia Britannica, “Septuagint”.
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Fontes principais
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